Configuração de Rotas Estáticas Redundantes com Roteadores MikroTik
O roteamento de pacotes em redes de computadores é a base para a interconexão de sub-redes e o acesso à rede mundial de computadores. Dentre os métodos disponíveis, o roteamento estático destaca-se pela simplicidade de implementação e baixo consumo de recursos de processamento do roteador, pois as rotas são inseridas manualmente pelo administrador de rede.
No entanto, rotas estáticas simples normalmente possuem uma limitação crítica: a ausência de adaptabilidade a falhas. Caso um enlace (link) físico ou uma interface intermediária sofra uma queda, a rota permanece na tabela de roteamento até ser removida manualmente, gerando o descarte de pacotes e a interrupção da comunicação.
Para contornar essa fragilidade sem a necessidade de implantar protocolos de roteamento dinâmico complexos (como OSPF ou BGP), utilizam-se as rotas estáticas redundantes (mecanismo conhecido como floating static routes ou failover estático). A grande dificuldade na manutenção e configuração desse cenário reside na necessidade de garantir que o roteador não apenas conheça caminhos alternativos, mas também possua mecanismos ativos de monitoramento (como a verificação periódica por ICMP Ping) e métricas de prioridade bem definidas (distância administrativa) para alternar o tráfego de forma transparente em caso de indisponibilidade.
Para melhor compreender o funcionamento e a aplicação prática das rotas estáticas redundantes, utilizaremos um cenário de rede composto por três roteadores MikroTik interconectados. Esse laboratório servirá como modelo para ilustrar, passo a passo, a topologia adotada, os comandos de endereçamento e a configuração adequada das métricas e mecanismos de monitoramento necessários para garantir a redundância e a rápida convergência em caso de falhas.
Cenário de rede do exemplo
O cenário do exemplo é composto por três roteadores MikroTik (Router-MTK-1, Router-MTK-2 e Router-MTK-3), três redes locais de computadores (LAN1, LAN2 e LAN3) com seus respectivos hosts (Host-1, Host-2 e Host-3), além de enlaces ponto a ponto (WAN1, WAN2 e WAN3) que interconectam os roteadores em uma topologia em anel/triângulo, permitindo caminhos redundantes. Também dois desses roteadores (Router-MTK-1 e Router-MTK-2) possuem conexão com a Internet, formando também conexões redundantes com a rede mundial de computadores. A Figura 1 ilustra tal cenário de rede utilizada para o exemplo deste texto.

A seguir são apresentadas todas os endereços de rede de cada elemento da rede do cenário de rede da Figura 1:
- Router-MTK-1 (mtk1):
ether1: Conexão WAN0 / Internet (Rede192.168.122.0/24, IP via DHCP192.168.122.190/24).ether2: Conexão com LAN1 (10.1.0.0/24, IP10.1.0.101/24).ether3: Conexão WAN1 com mtk3 (192.168.1.0/24, IP192.168.1.101/24).ether5: Conexão WAN3 com mtk2 (192.168.3.0/24, IP192.168.3.101/24).
- Router-MTK-2 (mtk2):
ether1: Conexão WAN0 / Internet (Rede192.168.122.0/24, IP via DHCP192.168.122.192/24).ether2: Conexão com LAN2 (10.2.0.0/24, IP10.2.0.102/24).ether4: Conexão WAN2 com mtk3 (192.168.2.0/24, IP192.168.2.102/24).ether5: Conexão WAN3 com mtk1 (192.168.3.0/24, IP192.168.3.102/24).
- Router-MTK-3 (mtk3):
ether2: Conexão com LAN3 (10.3.0.0/24, IP10.3.0.103/24).ether3: Conexão WAN1 com mtk1 (192.168.1.0/24, IP192.168.1.103/24).ether4: Conexão WAN2 com mtk2 (192.168.2.0/24, IP192.168.2.103/24).
- Hosts:
- Host-1: IP
10.1.0.1/24, Gateway10.1.0.101. - Host-2: IP
10.2.0.1/24, Gateway10.2.0.102. - Host-3: IP
10.3.0.1/24, Gateway10.3.0.103.
- Host-1: IP
Configuração dos equipamentos do cenário de rede
Agora que foram apresentados todas os IPs das redes e hosts do cenário de exemplos vamos iniciar a configuração dos mesmos em um ambiente de rede Linux e Mikrotik, ou seja, neste exemplo os hosts clientes são computadores com Linux e desta forma vamos aplicar comandos Linux. Já todos os roteadores são Mikrotik com o RouterOS versão 7.
A configuração do ambiente engloba a identificação dos roteadores, atribuição de endereços IP nas interfaces, masquerading (NAT) para saída à Internet e, principalmente, a criação das rotas estáticas com critérios de redundância.
Router-MTK-1 (mtk1)
Vamos iniciar a configuração pelo Router-MTK-1, também chamado de mtk1. Como há três roteadores MikroTik no cenário de rede, é recomendado começar pela configuração do nome do dispositivo para evitar confusões no console de gerenciamento (evitando, assim, trabalhar em um roteador acreditando ser outro). Isso é feito por meio do comando /system/identity/set name=mtk1, que define o nome do roteador como mtk1.
Na sequência, verificaremos se o roteador já recebeu algum endereço IP via DHCP (usando o comando /ip/address/print), visto que esse costuma ser o comportamento padrão do MikroTik: tentar obter as configurações de rede de forma automática via DHCP. A saída a seguir apresenta a execução dessas duas tarefas:
[admin@MikroTik] > /system/identity/set name=mtk1
[admin@mtk1] > /ip/address/print
Flags: D - DYNAMIC
Columns: ADDRESS, NETWORK, INTERFACE, VRF
# ADDRESS NETWORK INTERFACE VRF
0 D 192.168.122.190/24 192.168.122.0 ether1 main
Como é possível observar na saída anterior, o nome do roteador mudou de MikroTik para mtk1, o que pode ser confirmado no prompt de comando: [admin@mtk1] >. Já no retorno do comando /ip/address/print, identifica-se que a interface de rede ether1 obteve o IP 192.168.122.190/24 via DHCP, indicado pela letra D na segunda coluna da última linha (0 D 192.168.122.190/24 192.168.122.0 ether1 main). Com isso, a rota padrão e os servidores DNS também devem ter sido configurados automaticamente. Assim, resta-nos configurar apenas as demais interfaces de rede (ether2, ether3 e ether5), utilizando os seguintes comandos:
[admin@mtk1] > /ip/address/add address=10.1.0.101/24 interface=ether2
[admin@mtk1] > /ip/address/add address=192.168.1.101/24 interface=ether3
[admin@mtk1] > /ip/address/add address=192.168.3.101/24 interface=ether5
Com todas as interfaces de rede devidamente configuradas, daremos prosseguimento à configuração do roteador para prover acesso a outras redes (como a Internet) para os hosts conectados a ele. O próximo passo é configurar o NAT (Masquerade), garantindo que todo o tráfego com destino à Internet utilize o IP da interface ether1 do roteador. Essa tarefa é realizada pelo comando a seguir:
[admin@mtk1] > /ip/firewall/nat/add action=masquerade chain=srcnat out-interface=ether1
A última etapa no mtk1 será criar as rotas estáticas que dão acesso às redes locais do cenário proposto. Para isso, iniciaremos pela LAN3 (lembre-se de que é necessário configurar rotas para todas as redes que não estão diretamente conectadas ao roteador em questão).
Começaremos adicionando a rota mais curta, que vai do mtk1 diretamente ao mtk3, pois, para alcançar a LAN3 por esse caminho, o tráfego precisa passar por apenas um roteador intermediário. O comando para essa rota é:
[admin@mtk1] > /ip/route/add dst-address=10.3.0.0/24 gateway=192.168.1.103 distance=1 check-gateway=ping
Agora, abordando a parte da redundância, observe na Figura 1 que existe outra forma de alcançar a LAN3: passando pelo roteador mtk2. Contudo, esse caminho exige atravessar dois roteadores (mtk2 e mtk3), ou seja, realizar dois saltos na rede, o que normalmente é considerado mais custoso (nem sempre essa é uma regra absoluta, mas consideraremos dessa forma neste cenário).
A ideia é que este caminho funcione como uma rota secundária, a qual só deve ser utilizada se a rota principal estiver indisponível. Por esse motivo, incluiu-se no comando anterior os parâmetros distance=1 e check-gateway=ping, indicando, respectivamente, que a rota primária para a LAN3 possui distância (custo) 1 e que o mtk1 deve verificar ativamente via ping se o gateway 192.168.1.103 está acessível.
Para a segunda rota em direção à LAN3, definiremos uma distância de custo 2 (rotas de custo menor tem prioridade em relação a rotas de custo mais altos). Dessa forma, ela permanecerá inativa, sendo acionada apenas se o teste do check-gateway apontar que o gateway principal (192.168.1.103) parou de responder. O comando completo para a rota secundária é:
[admin@mtk1] > /ip/route/add dst-address=10.3.0.0/24 gateway=192.168.3.102 distance=2 check-gateway=ping
Agora o mtk1 possui duas rotas conhecidas para a LAN3. Em condições normais, os pacotes destinados a essa rede seguirão pelo enlace WAN1 (via gateway 192.168.1.103), por possuir a menor distância (distance=1). Todavia, se esse enlace falhar, o mtk1 passará a encaminhar o tráfego destinado à LAN3 pelo enlace WAN3 (via gateway 192.168.3.102), garantindo a continuidade da comunicação por meio da rota de backup.
Com as rotas para a LAN3 devidamente estabelecidas, faremos o mesmo procedimento para a LAN2, adicionando uma rota primária e uma rota secundária (com menor prioridade/distância maior) para casos de falha. Os comandos para a LAN2 são:
[admin@mtk1] > /ip/route/add dst-address=10.2.0.0/24 gateway=192.168.3.102 distance=1 check-gateway=ping
[admin@mtk1] > /ip/route/add dst-address=10.2.0.0/24 gateway=192.168.1.103 distance=2 check-gateway=ping
Note que os comandos para a LAN2 são muito semelhantes aos executados para a LAN3 no mtk1. A diferença reside na alteração dos endereços IP de destino e nos caminhos (gateways) correspondentes à rota principal e à rota secundária.
Atenção, mais importante do que memorizar a sintaxe dos comandos é compreender a lógica de roteamento: como instruir o roteador a alcançar redes distantes, de que maneira atribuir prioridades às rotas (quando há custos diferentes) e como monitorar se um enlace permanece ativo. Além disso, vale destacar que cada fabricante ou sistema operacional oferece recursos e métodos distintos para realizar a checagem de links e a definição de métricas, cada qual com suas vantagens e desvantagens.
Router-MTK-2 (mtk2)
Seguindo a mesma metodologia aplicada ao primeiro roteador, passamos agora para a configuração do Router-MTK-2 (identificado como mtk2). De forma análoga ao mtk1, iniciamos alterando a identificação do sistema para evitar equívocos durante a gerência via console. Na sequência, verificamos com /ip/address/print o IP obtido dinamicamente via DHCP na interface ether1 para a comunicação com a Internet.
[admin@MikroTik] > /system/identity/set name=mtk2
[admin@mtk2] > /ip/address/print
Flags: D - DYNAMIC
Columns: ADDRESS, NETWORK, INTERFACE, VRF
# ADDRESS NETWORK INTERFACE VRF
0 D 192.168.122.192/24 192.168.122.0 ether1 main
O mtk2 é o gateway da LAN2 (ligado à interface ether2) e conecta-se ao mtk3 pelo enlace WAN2 através da interface ether4. A comunicação com o mtk1 ocorre pelo enlace WAN3 na interface ether5. Assim, vamos configurar essas conexões com os comandos a seguir:
[admin@mtk2] > /ip/address/add address=10.2.0.102/24 interface=ether2
[admin@mtk2] > /ip/address/add address=192.168.2.102/24 interface=ether4
[admin@mtk2] > /ip/address/add address=192.168.3.102/24 interface=ether5
Com os endereços IPs devidamente configurados vamos habilitar a regra de NAT (Masquerade) na interface de saída ether1 para permitir a navegação na Internet dos equipamentos da LAN2:
[admin@mtk2] > /ip/firewall/nat/add action=masquerade chain=srcnat out-interface=ether1
Com o acesso a Internet já configurado vamos passar para a configuração das rotas para as redes internas.
Configuração de Rotas Estáticas Redundantes no mtk2
Para o mtk2, as redes remotas que precisam ser alcançadas via roteamento estático são a LAN3 (10.3.0.0/24) e a LAN1 (10.1.0.0/24). A lógica de prioridade (distância administrativa) e monitoramento de link (check-gateway=ping) permanece idêntica à do mtk1, variando apenas a topologia física:
- Acesso à LAN3 (
10.3.0.0/24):
- Rota Principal (
distance=1): O caminho direto é pelo enlace WAN2 via gateway192.168.2.103(mtk3), exigindo apenas 1 salto. - Rota Secundária / Backup (
distance=2): Caso o enlace WAN2 falhe, o tráfego contorna a rede passando pelomtk1(via gateway192.168.3.101no enlace WAN3).
Assim os comandos para esse são:
[admin@mtk2] > /ip/route/add dst-address=10.3.0.0/24 gateway=192.168.2.103 distance=1 check-gateway=ping
[admin@mtk2] > /ip/route/add dst-address=10.3.0.0/24 gateway=192.168.3.101 distance=2 check-gateway=ping
- Acesso à LAN1 (
10.1.0.0/24):
- Rota Principal (
distance=1): A rota mais curta até a LAN1 é direta via enlace WAN3, enviando pacotes para o gateway192.168.3.101(mtk1). - Rota Secundária / Backup (
distance=2): Se o enlace WAN3 ficar indisponível, os pacotes são encaminhados aomtk3(via gateway192.168.2.103), que por sua vez se encarregará de entregá-los aomtk1.
Sendo os comandos para essa configuração no cenário proposto:
[admin@mtk2] > /ip/route/add dst-address=10.1.0.0/24 gateway=192.168.3.101 distance=1 check-gateway=ping
[admin@mtk2] > /ip/route/add dst-address=10.1.0.0/24 gateway=192.168.2.103 distance=2 check-gateway=ping
Com esses passos, o mtk2 fica completamente provisionado com redundância de dados: o tráfego preferencial busca sempre o caminho de menor número de saltos, mas mantém rotas de contingência ativas caso algum link intermediário seja interrompido.
Router-MTK-3 (mtk3)
Finalizando a etapa de configuração dos roteadores, passamos para a configuração do Router-MTK-3 (mtk3). Assim como feito nos dispositivos anteriores, a primeira ação é definir a identidade do roteador via console por meio do comando /system/identity/set name=mtk3.
Na sequência, realizamos a atribuição manual dos endereços IP e suas respectivas máscaras de rede às interfaces físicas:
[admin@MikroTik] > /system/identity/set name=mtk3
[admin@mtk3] > /ip/address/add address=192.168.1.103/24 interface=ether3
[admin@mtk3] > /ip/address/add address=192.168.2.103/24 interface=ether4
[admin@mtk3] > /ip/address/add address=10.3.0.103/24 interface=ether2
Nos comandos anteriores:
- A interface
ether2atende à rede local LAN3 (10.3.0.0/24). - A interface
ether3conecta-se aomtk1pelo enlace WAN1 (192.168.1.0/24). - A interface
ether4conecta-se aomtk2pelo enlace WAN2 (192.168.2.0/24).
Observação Importante: Diferente do
mtk1e domtk2, o mtk3 não possui um link direto de saída para a Internet (WAN0) em suas interfaces, estando conectado apenas às redes internas e enlaces de interconexão. Por essa razão, não é necessário configurar regras de NAT (Masquerade) neste roteador. Todo o tráfego originado na LAN3 que se destinar à Internet será traduzido e mascarado posteriormente pelomtk1ou pelomtk2, dependendo de qual rota de saída for utilizada.
A lógica de roteamento para alcançar as redes locais remotas (LAN1 e LAN2) segue estritamente o mesmo padrão adotado nos roteadores anteriores, alternando a rota principal (distance=1) e a secundária (distance=2) com o monitoramento por ping:
[admin@mtk3] > /ip/route/add dst-address=10.1.0.0/24 gateway=192.168.1.101 distance=1 check-gateway=ping
[admin@mtk3] > /ip/route/add dst-address=10.1.0.0/24 gateway=192.168.2.102 distance=2 check-gateway=ping
[admin@mtk3] > /ip/route/add dst-address=10.2.0.0/24 gateway=192.168.2.102 distance=1 check-gateway=ping
[admin@mtk3] > /ip/route/add dst-address=10.2.0.0/24 gateway=192.168.1.101 distance=2 check-gateway=ping
Assim, os comandos anteriores realizam as seguintes tarefas:
- Para a LAN1 (
10.1.0.0/24): O caminho direto é pelomtk1(192.168.1.101, via WAN1). Em caso de falha, o tráfego é desviado pelomtk2(192.168.2.102, via WAN2). - Para a LAN2 (
10.2.0.0/24): O caminho direto é pelomtk2(192.168.2.102, via WAN2). Em caso de falha, o tráfego contorna a rede pelomtk1(192.168.1.101, via WAN1).
Configuração das Rotas Padrão (Default Routes) Redundantes para a Internet
Como o mtk3 não possui uma conexão física direta com a Internet, ele precisa encaminhar qualquer pacote cujo destino seja uma rede desconhecida (como endereços públicos na Web) para os roteadores vizinhos que possuem acesso externo. Para isso, criam-se as rotas padrão (destino 0.0.0.0/0):
[admin@mtk3] > /ip/route/add gateway=192.168.1.101
[admin@mtk3] > /ip/route/add gateway=192.168.2.102
A inserção dessas duas regras garante que os usuários da LAN3 consigam navegar na Internet, utilizando tanto o mtk1 quanto o mtk2 como portas de saída.
Neste exemplo prático em específico, os comandos foram inseridos de forma simplificada sem os parâmetros distance e check-gateway=ping. Por padrão, quando a distância não é informada, o MikroTik atribui distance=1 a ambas as rotas. Como ambas têm o mesmo custo e estão ativas, o sistema pode realizar um balanceamento de carga do tipo ECMP (Equal-Cost Multi-Path).
No entanto, vale ressaltar que para um ambiente de produção seria perfeitamente possível aplicar os mesmos critérios de redundância vistos anteriormente: definindo distance=1 para a saída preferencial (ex: mtk1), distance=2 para a secundária (mtk2) e ativando o check-gateway=ping para garantir que, caso o enlace com um dos roteadores caia, o mtk3 redirecione todo o tráfego de Internet automaticamente para o outro link.
Análise da Tabela de Roteamento do mtk3 (/ip/route/print)
Após finalizar os comandos no roteador mtk3, é possível executar a verificação da tabela de roteamento ativa do mtk3, que deve ter as seguintes rotas:
[admin@mtk3] > /ip/route/print
Flags: D - DYNAMIC; A - ACTIVE; c - CONNECT, s - STATIC; + - ECMP
Columns: DST-ADDRESS, GATEWAY, ROUTING-TABLE, DISTANCE
# DST-ADDRESS GATEWAY ROUTING-TABLE DISTANCE
0 As+ 0.0.0.0/0 192.168.1.101 main 1
1 As+ 0.0.0.0/0 192.168.2.102 main 1
2 As 10.1.0.0/24 192.168.1.101 main 1
3 s 10.1.0.0/24 192.168.2.102 main 2
4 As 10.2.0.0/24 192.168.2.102 main 1
5 s 10.2.0.0/24 192.168.1.101 main 2
DAc 10.3.0.0/24 ether2 main 0
DAc 192.168.1.0/24 ether3 main 0
DAc 192.168.2.0/24 ether4 main 0
Então a saída anterior apresenta a tabela de roteamento depois da configuração dos IPs e rotas no mtk3, mas especificamente cada rota tem as seguintes flags:
DAc(Dynamic, Active, Connect): Representa as redes diretamente conectadas às interfaces físicas domtk3com distância 0.As(Active, Static): Indica rotas estáticas ativas que estão sendo efetivamente utilizadas no momento para o encaminhamento de pacotes.s(Static inativa): Indica rotas estáticas cadastradas, porém inativas em modo standby devido ao custo/distância maior (distance=2).+(ECMP): Indica que há múltiplas rotas ativas de igual custo para o mesmo destino.
Dada essa configuração de roteamento no mtk3, são exemplos de possíveis roteamentos de pacotes pelo mtk3:
- Destino: Host na LAN1 (
10.1.0.1):
O mtk3 consulta sua tabela e localiza a rota 2 (As 10.1.0.0/24 via 192.168.1.101, distance=1). O pacote é enviado diretamente pela interface ether3 ao mtk1. A rota 3 (s 10.1.0.0/24 via 192.168.2.102, distance=2) permanece inativa no aguardo de uma eventual falha.
- Destino: Servidor na Internet (
8.8.8.8):
Como o endereço 8.8.8.8 não pertence a nenhuma das redes locais conhecidas, o mtk3 recorre às rotas padrão 0.0.0.0/0 (linhas 0 e 1). Como ambas possuem a flag As+ e distância 1, o roteador pode alternar ou balancear o envio das conexões de saída entre o mtk1 (192.168.1.101) e o mtk2 (192.168.2.102), garantindo conectividade externa para a LAN3 por qualquer um dos dois caminhos disponíveis.
Com a configuração dos roteadores concluída, passaremos à etapa de provisionamento dos clientes. Essa ação permitirá a realização de testes em todo o ambiente de rede integrado, englobando desde a infraestrutura de roteamento até os hosts finais.
Configuração dos hosts clientes
Considerando que os hosts clientes do cenário proposto utilizam o sistema operacional Linux, utilizaremos para a demonstração os comandos utilitários clássicos: o ifconfig para a atribuição de IP e máscara de sub-rede, o route para a definição do gateway padrão (default gateway) e a gravação do parâmetro nameserver no arquivo /etc/resolv.conf para a resolução de nomes (DNS).
A seguir, são apresentados os comandos executados para o provisionamento dos Hosts 1, 2 e 3:
- Host 1:
root@Host-1:/# ifconfig eth0 10.1.0.1/24
root@Host-1:/# route add default gw 10.1.0.101
root@Host-1:/# echo "nameserver 1.1.1.1" > /etc/resolv.conf
- Host2:
root@Host-2:/# ifconfig eth0 10.2.0.1/24
root@Host-2:/# route add default gw 10.2.0.102
root@Host-1:/# echo "nameserver 1.1.1.1" > /etc/resolv.conf
- Host 3:
root@Host-3:/# ifconfig eth0 10.3.0.1/24
root@Host-3:/# route add default gw 10.3.0.103
root@Host-3:/# echo namesever 8.8.8.8 > /etc/resolv.conf
Com a execução desses comandos nos hosts clientes, atribuiu-se a cada interface de rede (eth0) o seu respetivo endereço IP e máscara (10.1.0.1/24 no Host-1, 10.2.0.1/24 no Host-2 e 10.3.0.1/24 no Host-3), garantindo o correto endereçamento nas LANs. A adição da rota padrão (default gateway) apontando para os IPs dos roteadores localmente conectados (10.1.0.101, 10.2.0.102 e 10.3.0.103) permitiu que as máquinas enviassem pacotes fora de sua sub-rede local, enquanto a definição do DNS no arquivo /etc/resolv.conf assegurou a resolução de nomes de domínio para a navegação externa. Com toda a infraestrutura de roteamento e os hosts devidamente provisionados, o cenário fica plenamente operacional para a realização de testes de conectividade end-to-end e, principalmente, para a validação prática dos mecanismos de redundância e failover configurados nos roteadores MikroTik.
Aqui está a seção completa de testes das rotas redundantes estruturada em Markdown, dividida em blocos lógicos conforme a sequência de comandos executados no Host-3.
Testes de Conectividade e Redundância (Failover)
Para validar o funcionamento da arquitetura de roteamento e comprovar a eficiência das rotas redundantes com check-gateway, realizou-se uma bateria de testes a partir do Host-3 (10.3.0.1).
A ferramenta de diagnóstico utilizada foi o traceroute (com o parâmetro -n para ocultar a resolução DNS dos saltos e agilizar o retorno). Esse utilitário permite mapear exatamente por quais roteadores intermediários (gateways) os pacotes trafegam até atingir o destino.
1. Testes com Todos os Enlaces Ativos (Cenário Normal)
Nesta primeira etapa, com todos os enlaces físicos operando normalmente, espera-se que o tráfego sempre priorize a rota de menor custo/distância (distance=1).
Ao realizar o rastreamento para a Internet (8.8.8.8) e para o Host-1 (10.1.0.1), observa-se que os pacotes saem do mtk3 (10.3.0.103) e utilizam diretamente o enlace WAN1 via mtk1 (192.168.1.101), veja a saída do comando a seguir:
root@Host-3:/# traceroute -n 8.8.8.8
traceroute to 8.8.8.8 (8.8.8.8), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 0.750 ms 1.353 ms 1.350 ms
2 192.168.1.101 2.606 ms 2.613 ms 2.601 ms
3 192.168.122.1 7.376 ms 7.431 ms 7.430 ms
4 192.168.18.1 7.425 ms 7.419 ms 7.410 ms
5 177.125.210.5 11.608 ms 11.611 ms 11.666 ms
6 177.125.214.213 16.560 ms 16.974 ms 16.358 ms
7 10.216.16.45 43.580 ms 42.211 ms 42.191 ms
8 10.216.6.0 27.347 ms 23.667 ms 21.695 ms
9 10.5.17.222 27.272 ms 27.254 ms 27.231 ms
10 * * *
11 10.5.20.66 19.579 ms 15.453 ms 16.432 ms
12 * * *
13 * * *
14 8.8.8.8 17.614 ms 17.569 ms 17.550 ms
root@Host-3:/# traceroute -n 10.1.0.1
traceroute to 10.1.0.1 (10.1.0.1), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 0.670 ms 0.655 ms 0.619 ms
2 192.168.1.101 2.026 ms 2.171 ms 3.358 ms
3 10.1.0.1 7.892 ms 8.013 ms 8.070 ms
Então a saída anterior mostra que o caminho até o Host-1 levou 3 saltos (mtk3 -> mtk1 -> Host-1), demonstrando o uso da rota direta via 192.168.1.101. Bem como a saída para o 8.8.8.8 foi via mtk3 e mtk1. Ou seja, apenas utilizando as rotas primárias.
2. Teste de Falha no Enlace Principal (Ativação da Rota Redundante)
Para simular um cenário de contingência, o enlace principal entre o mtk3 e o mtk1 (enlace WAN1) foi desativado.
Como a rota primária falhou, o mecanismo check-gateway=ping no mtk3 identificou a queda do gateway 192.168.1.101, inativa a rota de menor distância e utiliza a rota backup (distance=2).
Agora ao repetir o teste para o Host-1 (10.1.0.1) e para a Internet (8.8.8.8), percebe-se a alteração dinâmica do trajeto:
root@Host-3:/# traceroute -n 10.1.0.1
traceroute to 10.1.0.1 (10.1.0.1), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 1.061 ms 1.043 ms 1.032 ms
2 192.168.2.102 3.728 ms 3.770 ms 3.773 ms
3 192.168.3.101 3.771 ms 3.766 ms 3.764 ms
4 10.1.0.1 5.322 ms 6.979 ms 6.978 ms
root@Host-3:/# traceroute -n 8.8.8.8
traceroute to 8.8.8.8 (8.8.8.8), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 0.947 ms 1.229 ms 1.221 ms
2 192.168.2.102 5.618 ms 5.800 ms 5.796 ms
3 192.168.122.1 6.110 ms 7.450 ms 8.596 ms
4 192.168.18.1 8.736 ms 8.730 ms 8.721 ms
5 177.125.210.5 10.471 ms 11.479 ms 11.513 ms
6 * * *
7 10.216.16.45 61.566 ms 19.999 ms 51.780 ms
8 10.216.6.0 19.936 ms 19.678 ms 18.239 ms
9 10.5.17.222 22.936 ms 23.013 ms 23.225 ms
10 * * *
11 10.5.20.66 17.338 ms 14.115 ms 14.106 ms
12 * * *
13 * * *
14 8.8.8.8 15.311 ms 15.196 ms 14.423 ms
Observando a saída anterior, ao rastrear o Host-1, o trajeto agora possui 4 saltos (mtk3 -> mtk2 via 192.168.2.102 -> mtk1 via 192.168.3.101 -> Host-1). O tráfego realizou o contorno com sucesso pelo enlace WAN2.
Já para o tráfego de Internet (8.8.8.8), o mtk3 passou a utilizar a rota padrão secundária através do mtk2 (192.168.2.102), garantindo a disponibilidade do acesso externo sem interrupção.
3. Teste de Restabelecimento do Enlace (Failback)
Após a restauração do enlace WAN1 entre o mtk3 e o mtk1, o monitoramento via ping detecta o retorno da conectividade com o gateway principal 192.168.1.101. Com isso, a rota de distância 1 é reativada como primária (failback automatizado).
Ao executar novamente os testes para a Internet e para a LAN1, o caminho retorna à sua convergência original:
root@Host-3:/# traceroute -n 8.8.8.8
traceroute to 8.8.8.8 (8.8.8.8), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 1.310 ms 1.326 ms 1.390 ms
2 192.168.1.101 3.705 ms 3.712 ms 3.815 ms
3 192.168.122.1 3.800 ms 4.323 ms 4.328 ms
4 192.168.18.1 4.971 ms 6.302 ms 6.312 ms
5 177.125.210.5 9.553 ms 9.576 ms 9.542 ms
6 177.125.214.213 18.795 ms 16.896 ms 16.857 ms
7 10.216.16.45 16.856 ms 17.292 ms 17.290 ms
8 10.216.6.0 17.209 ms 17.193 ms 16.691 ms
9 10.5.17.222 27.774 ms 27.853 ms 27.575 ms
10 * * *
11 10.5.20.66 19.118 ms 18.022 ms 18.206 ms
12 * * *
13 * * *
14 8.8.8.8 18.999 ms 14.579 ms 15.936 ms
root@Host-3:/# traceroute -n 10.1.0.1
traceroute to 10.1.0.1 (10.1.0.1), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 1.182 ms 1.138 ms 1.108 ms
2 192.168.1.101 2.829 ms 2.816 ms 2.921 ms
3 10.1.0.1 4.644 ms 4.784 ms 4.785 ms
Ou seja, o tráfego voltou a ser direcionado diretamente pelo salto 2 (192.168.1.101), reduzindo a latência e a contagem de saltos.
4. Testes de Redundância Cruzada para a LAN2
Por fim, realizou-se a verificação do comportamento do fluxo entre a LAN3 e a LAN2 (10.2.0.1), comparando o trajeto em situação de normalidade versus uma simulação de falha no enlace direto WAN2.
# Teste normal para a LAN2 (Rota Direta via WAN2 / mtk2)
root@Host-3:/# traceroute -n 10.2.0.1
traceroute to 10.2.0.1 (10.2.0.1), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 2.534 ms 2.525 ms 2.309 ms
2 192.168.2.102 11.712 ms 11.703 ms 11.687 ms
3 10.2.0.1 13.631 ms 14.497 ms 14.861 ms
# Teste para a LAN2 com falha no enlace WAN2 (Rota Contornada via WAN1 / mtk1)
root@Host-3:/# traceroute -n 10.2.0.1
traceroute to 10.2.0.1 (10.2.0.1), 30 hops max, 60 byte packets
1 10.3.0.103 1.616 ms 1.603 ms 1.597 ms
2 192.168.1.101 7.569 ms 7.574 ms 7.568 ms
3 192.168.3.102 7.562 ms 7.553 ms 7.545 ms
4 10.2.0.1 10.702 ms 12.541 ms 12.546 ms
Analisando a saída anterior verifica-se no primeiro comando: O fluxo segue a rota principal (distance=1) apontando para o gateway 192.168.2.102 (mtk2), completando o trajeto em 3 saltos.
Já no segundo comando (sob falha do enlace WAN2): O mtk3 redireciona o tráfego para a rota alternativa (distance=2), enviando o pacote primeiro ao mtk1 (192.168.1.101), que por sua vez o repassa ao mtk2 (192.168.3.102) até entregar ao Host-2 (10.2.0.1), totalizando 4 saltos.
Os testes validam de que a topologia redundante somada ao uso de distâncias administrativas e monitoramento ativo (check-gateway=ping) entrega alta disponibilidade para a infraestrutura de rede.
Todos os passos demonstrados neste tutorial - desde o provisionamento das interfaces nos roteadores e a configuração dos hosts clientes até a validação prática dos cenários de failover - estão registrados e detalhados no vídeo a seguir.
Considerações Finais e Desafio
A implementação de rotas redundantes associadas a mecanismos de monitoramento como o check-gateway representa o divisor de águas entre uma infraestrutura frágil - que sofre paradas críticas diante de qualquer falha física de enlace - e uma rede de alta disponibilidade verdadeiramente resiliente, capaz de reencaminhar o tráfego de forma transparente e manter os serviços operacionais.
Como desafio prático, observe que na topologia apresentada apenas o roteador mtk3 recebeu a configuração explicita de rotas padrão redundantes para a Internet. Fica a cargo do leitor aplicar esse mesmo conceito de redundância aos roteadores mtk1 e mtk2, garantindo que, caso o link de Internet de um deles caia, o tráfego local possa utilizar o link de Internet do outro roteador vizinho.
Por fim, vale ressaltar que o uso de rotas estáticas com checagem de gateway é uma excelente solução técnica para ambientes de pequeno porte ou topologias simples, oferecendo previsibilidade sem gerar overhead de processamento. No entanto, à medida que a topologia da rede cresce e ganha complexidade, a manutenção manual de tabelas estáticas torna-se inviável. Nessas cenários, é altamente recomendável a transição para protocolos de roteamento dinâmico (como OSPF), que automatizam a descoberta de caminhos e o cálculo de convergência de forma muito mais eficiente e escalável.
Bibliografia
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SANTOS, Luiz Arthur Feitosa dos. Configuração de rotas estáticas redundantes utilizando roteadores MikroTik. 2026. 1 vídeo (10 min). Publicado pelo canal do Prof. Dr. Luiz Arthur Feitosa dos Santos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bC4I_bm8EgA. Acesso em: 12 set. 2026.
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MIKROTIK. IP/Route - RouterOS Documentation. MikroTik Wiki / Documentation. Disponível em: https://help.mikrotik.com/docs/display/ROS/IP+Routing. Acesso em: 12 set. 2026.
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KUROSE, James F.; ROSS, Keith W. Redes de Computadores e a Internet: uma abordagem top-down. 8. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2021.